A Resina Natural, um recurso natural sustentável proveniente do pinhal, gera valor e promove a gestão florestal, promovendo a coesão territorial e a indústria. A espécie pinheiro-bravo (Pinus pinaster) é a principal produtora, e a sua transformação industrial gera inúmeros produtos e utilizações que usamos diariamente.

Da floresta ao nosso dia-a-dia:

Natural, renovável e biodegradável, a resina do pinheiro-bravo é um recurso que substitui derivados fósseis e responde aos objetivos de sustentabilidade e neutralidade carbónica. Está presente nos livros que folheamos, em embalagens de alimentos, em ambientadores, ceras depilatórias, refrigerantes, pastilhas elásticas, pneus e até possibilitando que o arco do violino emita um som de qualidade. Uma matéria-prima discreta, presente no nosso quotidiano e que fortalece a nossa bioeconomia.

Floresta cuidada, riscos reduzidos:

A resinagem possibilita maior rentabilidade na gestão das florestas de pinheiro-bravo, promovendo a gestão florestal. Por sua vez, a resinagem implica o trabalho de resineiros nas áreas florestais, principalmente nos meses mais quentes, reduzindo a carga combustível e vigiando ativamente as áreas onde trabalham, com direta influência na redução do risco de incêndio e na proteção contra pragas e doenças. Uma floresta bem gerida é uma floresta defendida.

Floresta–território–pessoas, quando todos ganham:

Quando se promove a gestão florestal dos pinhais, para além da madeira podemos aproveitar a resina, aumentando o rendimento para os proprietários; quando a floresta é gerida e cuidada, o território torna-se mais resiliente aos incêndios; quando aproveitamos a resina natural, possibilitamos a criação de emprego nas áreas rurais e nas indústrias onde se processa a sua transformação.

Este é o motor do Projeto RN21: transformar conhecimento em valor real, inovando e atuando na floresta e nas empresas, com impacto na economia e nas comunidades.

Um projeto para inovar e olhar o futuro:

O Projeto Integrado RN21, liderado pelo CoLAB ForestWISE, envolve 36 parceiros e está a modernizar toda a fileira da Resina Natural no nosso país, com impacto em diferentes mercados. Os objetivos passam por reforçar a resiliência económica desta cadeia de valor, contribuir para a neutralidade carbónica, reforçar a coesão territorial e apoiar a investigação aplicada para desenvolver novos produtos e mercados, transformando conhecimento em soluções concretas.

O Paulo Fragoso conversou na Renascença com Rogério Rodrigues, Diretor do Projeto RN21, liderado pelo CoLAB ForestWISE:

Recorde aqui a conversa de Paulo Fragoso com Rogério Rodrigues

Resultados que permanecem no território:

Para melhorar e profissionalizar a atividade dos resineiros, o Projeto RN21 atua com várias inovações ao nível das técnicas utilizadas na resinagem e dinamiza a Academia do Resineiro, com formações que desenvolvem competências técnicas e segurança, tornando este trabalho mais atrativo para novos resineiros. Uma atuação direta na coesão territorial que tanto necessitamos, gerando mais oportunidades e permitindo a fixação de pessoas no interior.

Para que serve a resina:

Tudo começa no pinhal. Os resineiros extraem a resina do pinheiro. Nas indústrias de primeira transformação, desenvolve-se a destilação que separa a colofónia (sólida) e a aguarrás (líquida). Seguem-se novas intervenções nas empresas de segunda transformação, que geram inúmeros derivados, que são utilizados na formulação de adesivos, tintas e vernizes, solventes, fragrâncias e bioplásticos.

Indústria e inovação: do pinhal à fábrica:

As inovações promovidas no Projeto RN21 convertem a colofónia e a aguarrás em novas soluções. No setor automóvel, atuam como biopolímeros técnicos utilizados em portas e tabliers, mantendo o desempenho e reduzindo a dependência de matérias fósseis. No setor do calçado, são usados em adesivos e outros componentes de base biológica. No setor das embalagens, são usadas em filmes e em várias formulações que aliam qualidade e sustentabilidade. Por último, no setor dos têxteis, permitem a criação de tecidos mais sustentáveis.

Sustentabilidade em ação:

O RN21 promove o desenvolvimento de processos industriais mais eficientes na utilização da energia e água, assim como a digitalização e instalação de equipamentos industriais para a criação de novas formulações que substituem a utilização de produtos fosseis.

A marca resinae® traz valor e reconhecimento à Resina Natural de Pinus pinaster com origem na Europa, reforçando o compromisso de toda a cadeia de valor com os mais elevados padrões de qualidade e sustentabilidade

RESINAE®, confiança que se lê no rótulo:

A marca RESINAE® – Pinaster Natural Resin – introduz valor e reconhecimento da nossa Resina Natural, reforçando o compromisso de toda a cadeia de valor com os mais elevados padrões de qualidade e sustentabilidade.

O modelo assenta em critérios ambientais e sociais (FSC/PEFC) e utiliza uma rotulagem, que possibilita diferentes percentagens de incorporação de resina (10%, 40%, 70% ou 100%).

Como reconhecer e apoiar esta fileira:

Acompanhe a evolução dos pilotos RESINAE®. À medida que as provas de conceito passarem a produtos comerciais, será possível identificar produtos que utilizem a resina natural. Com escolhas informadas, pode apoiar quem está no terreno a construir um futuro mais sustentável para todos.

Algumas curiosidades…

Sabia que a Resina Natural é uma matéria-prima que acompanha a civilização desde o Antigo Egito, onde era usada no processo de mumificação? Em Portugal, é referida documentalmente desde o século XV, tendo sido crucial para calafetar embarcações na exploração marítima. Nos anos 70 do século passado, o nosso país chegou a ser o 3.º maior produtor mundial de resina; hoje a recuperação faz-se com inovação, qualificação e incorporação em novos mercados, através de iniciativas estruturadas como o Projeto RN21. Produzir e usar Resina Natural em Portugal aumenta a sustentabilidade, substitui alternativas fósseis e reduz a pegada ecológica em inúmeros produtos.

Artigo publicado originalmente em Rádio Renascença.